Uma onda de calor intensa atinge a Europa, provocando cerca de mil mortes acima do esperado na França desde quarta-feira (24). No domingo (28), mais de 190 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas de pelo menos 35°C, enquanto países como Alemanha e Espanha registram picos recordes.
A crise climática afeta a infraestrutura e a saúde pública no continente. Na França, o aumento de mortes ocorreu majoritariamente em domicílios na região de Paris. A Espanha, por sua vez, registrou 212 mortes em um período de quatro dias associadas ao calor extremo. Em resposta, hospitais e serviços de emergência em cidades como Paris e Viena aumentaram os atendimentos, e eventos ao ar livre foram cancelados.
Os efeitos se estendem à produção de energia e ao transporte. O aquecimento das águas do rio Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter os reatores seguros. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram regras de cancelamento de viagens devido ao risco de deformação dos trilhos, e o calor causou rachaduras em rodovias.
Especialistas alertam para consequências econômicas de longo prazo. A economista Katharina Utermöhl, da seguradora Allianz, afirmou que temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade em 3% por grau adicional e elevam os custos de energia em 1,2% por grau. Um estudo da Allianz projeta que as perdas acumuladas para a economia alemã entre 2026 e 2030 podem chegar a US$ 131 bilhões se os episódios se intensificarem.

