A Europa enfrentou uma intensa onda de calor no verão de 2026, atingindo o centro e norte do continente. O fenômeno, classificado como um dos mais severos já registrados, expôs a fragilidade da infraestrutura urbana e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas, segundo especialistas.
O episódio, que registrou marcas mais de dois graus acima da média em países como Espanha, França e Alemanha, foi explicado pelo padrão de bloqueio atmosférico conhecido como Omega Block, afirmou o professor Vasco Mantas, da Universidade de Coimbra. Mantas declarou que o mecanismo, embora semelhante ao de 2023, apresentou maior intensidade e começou mais cedo no ano.
Os impactos ultrapassam o clima, pressionando sistemas de saúde e o mercado de trabalho. Um pesquisador do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Lincoln Alves, explicou que a infraestrutura europeia, projetada para o frio, não está preparada para o novo cenário. Ele comentou que as altas temperaturas noturnas dificultam a recuperação do organismo.
A crise também mobiliza o debate sobre planejamento urbano. O professor Paulo Nossa defendeu a revisão de zoneamento para aumentar áreas verdes e de sombreamento. Além disso, o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Simon Stiell, afirmou que as ondas de calor piorarão enquanto houver queima de combustíveis fósseis.

