O Grupo Pão de Açúcar aprovou, em assembleia geral extraordinária, a exclusão da cláusula estatutária que obrigava Oferta Pública de Aquisição (OPA) para acionistas com mais de 25% do capital votante. Dois dias depois, o empresário Silvio Tini, com sua holding Bonsucex, elevou sua participação para 25,795% das ações, tornando-se o maior acionista individual do grupo.
A deliberação, na qual acionistas representando 75,36% do capital votante participaram, também incluiu a alteração do limite do capital autorizado para R$ 5,78 bilhões. A exclusão do mecanismo conhecido como ‘poison pill’ removeu a proteção que historicamente dificultava concentrações acionárias hostis.
Com a cláusula fora do estatuto, Tini pôde aumentar sua fatia sem acionar o gatilho da oferta pública. Sua nova posição supera a participação da família Coelho Diniz, que figurava com cerca de 24,9% do capital, e o Grupo Casino, que mantém aproximadamente 20% das ações.
A reacomodação acionária ocorre enquanto o GPA avança na execução do plano de recuperação extrajudicial, que envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A holding Bonsucex, criada por Tini em 1982, já detinha posições relevantes em outras companhias.

