Um combatente voluntário do Paraná relatou ter passado cerca de 20 dias em um bunker improvisado perto da linha de frente da guerra na Ucrânia. O homem, que se voluntariou para atuar no conflito, descreveu a escassez de suprimentos, a falta de água e a ameaça constante de drones russos.
O combatente, que nasceu em Cascavel, Paraná, chegou à Ucrânia em fevereiro deste ano com a intenção de atuar como médico de combate, aproveitando sua experiência na Defesa Civil do Paraná. Contudo, sua primeira missão o levou para a infantaria, em uma região perigosa próxima às forças russas, na área de Zaporíjia. Ele detalhou que o abrigo era um buraco escavado no solo, coberto com madeira, lona e terra, sem luz ou conforto.
Segundo o relato, a maior dificuldade não foi o combate direto, mas o abastecimento. O voluntário afirmou que houve períodos de grande privação, como três dias sem água, o que resultou na perda de 10 quilos. Ele comentou que o banho é quase inexistente na linha de frente, chegando a ficar cerca de 40 dias sem tomar banho.
O homem apontou os drones russos como o maior perigo no conflito, dizendo que eles são responsáveis pela maior parte das mortes. Apesar das dificuldades, ele declarou não se arrepender da decisão, mas pretende retornar ao Brasil após o término do contrato de seis meses. O Ministério das Relações Exteriores havia emitido um alerta em junho do ano passado sobre os riscos do alistamento voluntário de brasileiros em guerras estrangeiras.

