Uma passarela subterrânea, localizada sob a rodovia LMG-800 que acessa o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, reduziu em 83% os atropelamentos de fauna silvestre. A estrutura, que possui 60 metros de comprimento, permite que animais como jaguatirica e tamanduá-mirim transitem com segurança entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado.
O monitoramento realizado por meio de armadilhas fotográficas indicou a eficácia da passagem. Desde 2023, 16 espécies de animais silvestres foram registradas utilizando a estrutura. Segundo o biólogo Evandro Amato, analista de sustentabilidade do BH Airport, a circulação é vital para a conservação. “Os grupos de animais da mesma espécie precisam se encontrar com outros grupos para reprodução e assim garantir a variabilidade genética, senão eles se reproduzem entre si e isso não é bom.”
A passarela foi construída em 2014, durante as obras de duplicação e revitalização para a Copa do Mundo. O BH Airport é responsável pela manutenção e monitoramento da fauna no local, em parceria com a Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa (APA Carste). Emerson Chaves, gestor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, afirmou que os dados gerados subsidiam pesquisas científicas.
Amato explicou que os animais aprendem a usar a estrutura porque percebem que é um local seguro, sem carros ou pessoas. A passagem está situada em uma área de transição de biomas, abrangendo 310 hectares de Reserva Legal, o que reforça a importância da medida para a preservação da biodiversidade regional.


