O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a decisão do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, que retirou de circulação uma pesquisa da AtlasIntel sobre o senador Flávio Bolsonaro, foi interrompido nesta terça-feira. A ministra Estela Aranha solicitou vista, mantendo a liminar que suspende a divulgação do levantamento até o retorno do caso à pauta.
A análise era observada por bastidores do tribunal como possível indicativo da postura da Corte em casos de pesquisas de opinião durante o período eleitoral. Antes da interrupção, ministros ouviram os argumentos de Kássio Nunes Marques. Ele acolheu parcialmente um pedido do PL e apontou possível indução dos entrevistados pelo formato do questionário aplicado pela Atlas.
Na decisão liminar, proferida na segunda-feira, o presidente do TSE afirmou que a sequência de perguntas da empresa parecia “extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos possivelmente aptos a influenciar as respostas relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem do pré-candidato”. O partido do senador questionou a inclusão de referências ao áudio em que o senador trata de repasses para o financiamento do filme Dark Horse.
O ministro Nunes Marques observou que outras 27 pesquisas registradas pela Atlas no TSE não usaram metodologia similar. Ele escreveu que “a permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral”. A AtlasIntel contestou a indução, afirmando que o áudio não foi reproduzido antes do questionário principal.

