Os peruanos votarão neste domingo, 7 de junho, para escolher um novo presidente entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. A eleição ocorre em um contexto de profunda crise institucional e descrédito das instituições, ecoando os eventos de 2021.
A disputa presidencial chega ao fim após um primeiro turno conturbado, que contou com 35 candidatos. O Observatório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) confirmou Sánchez no segundo turno após a apuração atingir 99,94% das atas eleitorais revisadas. Cientista político Lucas Berti afirmou que o cenário reflete um processo de deslegitimação institucional, visto que presidentes eleitos não conseguem governar.
O país registrou nove presidentes em dez anos, um número que demonstra a fragilidade democrática. A Constituição peruana permite que parlamentares derrubem um presidente por “incapacidade moral ou física permanente”, o que Berti aponta como um indicativo de fragilidade institucional.
A crise se reflete na opinião pública. Dados do Latinobarómetro mostram que 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, caracterizando uma “desconfiança crônica”. Berti comentou que, embora o partido de Keiko Fujimori tenha maioria no Congresso, o maior desafio será convencer o eleitor a acreditar novamente na política peruana.


