As eleições no Peru, realizadas em 12 de abril, tiveram os resultados do segundo turno conhecidos cinco semanas depois. Em contraste, a Colômbia, após pleito em 31 de maio, teve os avançados em apenas duas horas. Analistas atribuem o contraste a fatores como o desenho dos processos e a desconfiança nas instituições.
O diretor do Radar Latam 360, Daniel Zovatto, explicou que a complexidade do processo peruano contribuiu para o atraso. No Peru, foram eleitos presidente, senadores, deputados e representantes do Parlamento Andino em uma única jornada, somado a um recorde de 35 candidatos à presidência. Na Colômbia, as eleições foram apenas presidenciais, com 13 candidaturas.
Problemas logísticos e impugnações de atas no Peru forçaram o Jurado Nacional de Eleições (JNE) a estender o horário das seções eleitorais. Zovatto afirmou que o processo peruano foi complicado por denúncias e grande judicialização, diferentemente da Colômbia, onde a transmissão de dados ocorreu com rapidez.
O professor Lucas Martínez-Villalba, do Tecnológico de Monterrey, acrescentou que a instabilidade política do Peru, com oito presidentes nos últimos dez anos, afetou a institucionalidade eleitoral. Ambos os pleitos compartilham denúncias de suposta fraude e são marcados por alta polarização, com fenômenos de ‘voto contra’ em relação a legados políticos.


