Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, editaram o DNA de embriões humanos em estágio inicial com precisão recorde. O estudo buscou corrigir genes associados a doenças cardíacas por colesterol e anemia falciforme. A técnica, que não corta o DNA, alcançou taxas de sucesso entre 70% e 95%.
A nova abordagem, chamada Editores de Base (ABE), difere do CRISPR/Cas9 tradicional. Enquanto este último funciona como uma tesoura molecular que corta o DNA, o ABE atua como um corretivo de precisão. Ele localiza uma única base química errada no código genético e a substitui sem quebrar a estrutura da dupla hélice do DNA.
Os cientistas focaram em dois genes: PCSK9, que controla os níveis de colesterol e está ligado a doenças cardíacas hereditárias, e HBG, que pode auxiliar no tratamento de doenças do sangue como a anemia falciforme. O estudo utilizou amostras de 40 embriões para o PCSK9 e 17 para o HBG1/2, provenientes de clínicas de fertilidade.
A alta taxa de sucesso e a integridade cromossômica observadas são sem precedentes. Contudo, os pesquisadores afirmam que a transposição para um contexto clínico ainda é prematura, necessitando de mais validações científicas. A pesquisa aponta potencial para erradicar doenças, como as cardíacas, que causam 30% dos óbitos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
O avanço gera um debate bioético. Por um lado, a tecnologia pode permitir que famílias evitem doenças graves em seus descendentes. Por outro, existe o risco teórico de uso para selecionar características físicas, o que a maioria da comunidade científica considera um limite não ultrapassável.


