A linguagem Bajubá, criada por pessoas trans, travestis e LGB em contextos de marginalização, é estudada por Shayra Brotero. A pesquisa revela que o vocabulário funciona como código de segurança e pertencimento da comunidade LGBTQIAPN+ em Belém.
O Bajubá transcende um conjunto de gírias; ele opera como um código de comunicação que serviu e serve como ferramenta de identificação e proteção. Segundo Shayra Brotero, a linguagem se formou a partir da mistura do português com influências de línguas africanas, como o iorubá, ressignificadas em práticas culturais.
A pesquisadora afirma que o Bajubá é uma “grande força materializada em palavras que nossas travas ancestrais trouxeram ao nosso universo”. O estudo, intitulado “Guerrilhas de Linguagem TransLGB”, também aborda a constante reinvenção do código, mostrando a vitalidade da língua. Um objetivo é auxiliar a academia a compreender esses fenômenos, valorizando as linguagens de resistência TransLGB.
O interesse de Brotero pelo tema começou na infância, ao observar a comunicação própria de pessoas trans e travestis. A investigação dialoga com referências culturais, como a obra da artista Linn da Quebrada, integrando-se ao livro “Palavra: caderno-ensaio 2”, publicado pelo Instituto Tomie Ohtake.

