Pesquisadores brasileiros testam metodologias para avaliar os efeitos da visitação em cavernas, um patrimônio que ultrapassa 30 mil registros no país. O trabalho, coordenado pelo ICMBio, visa equilibrar o interesse turístico com a preservação de ecossistemas sensíveis, começando no Rio Grande do Norte e abrangendo Goiás.
O estudo, que integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Patrimônio Espeleológico, utiliza simulações de visitação antes da abertura oficial ao público. Essa prática busca estabelecer parâmetros de manejo desde o início das atividades. Minas Gerais, estado com maior concentração de cavernas, também será analisado em comparação com locais não visitados.
Marconi Sousa Silva, pesquisador da Universidade Federal de Lavras e articulador da ação, afirmou que alterações sem planejamento podem comprometer gravemente esses ambientes. Os impactos identificados incluem mudanças em temperatura, umidade e concentração de CO₂, além de pisoteio e compactação de sedimentos, fatores que afetam invertebrados exclusivos das cavernas.
As metodologias combinam análises biológicas e monitoramento ambiental, avaliando parâmetros como CO₂, temperatura e umidade. Em uma expedição experimental simulada, com cerca de 45 pessoas por dia, foram coletados dados sobre diversidade de invertebrados. Diego Bento, analista ambiental e coordenador da Base Avançada do Cecav no Rio Grande do Norte, explicou que o objetivo é verificar se os impactos permanecem dentro de níveis aceitáveis para a conservação.

