Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) descobriram espécies inéditas de fungos em cavernas do Cerrado goiano. O estudo, coordenado por Jadson Bezerra, mapeou um universo microscópico que revela a grande diversidade fúngica do bioma e aponta para a necessidade de conservação ambiental.
A pesquisa, publicada na revista científica IMA Fungus, investiga a vida microscópica em cavernas do Cerrado desde 2017. A equipe estudou dez cavernas nos municípios de Mambaí, Buritinópolis, Vila Propício e Niquelândia, analisando aproximadamente 5 mil amostras coletadas em períodos de seca e chuvas intensas. Em uma triagem recente, foram identificadas 23 espécies distintas, sendo três delas totalmente inéditas para a ciência.
Os cientistas afirmam que o Cerrado concentra o maior número de cavernas do Brasil, e estima-se que 75% das espécies de fungos encontradas em cavernas brasileiras estejam neste bioma. O trabalho reforça que as cavernas são reservatórios de diversidade, e o estudo traz um argumento urgente para a preservação, que vai além da beleza cênica.
Além do valor ecológico, os fungos possuem potencial prático. A equipe identificou linhagens capazes de atuar como defensores naturais de lavouras, combatendo pragas e reduzindo o uso de defensivos químicos. Contudo, a pesquisa também alerta para a saúde pública, identificando fungos que podem causar alergias ou doenças em humanos.

