A Polícia Federal ampliou a investigação sobre supostas fraudes financeiras no Banco Digimais. Os investigadores analisam documentos contábeis e auditorias para determinar o valor real de fundos ligados à instituição. O inquérito apura carteiras sem lastro, empreendimentos imobiliários não construídos e créditos de veículos com alta inadimplência.
A PF apura que o grupo inflava o valor de ativos para mascarar a insolvência do banco, o que pode configurar crimes de gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis. Além disso, a polícia busca conexões entre o Digimais e o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Em uma ação judicial, um fundo lesado alegou que o Digimais adquiriu carteira de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro. Uma auditoria contratada pelo fundo identificou que 42% da carteira possuía pendências documentais. O relatório policial acrescentou que a oferta de títulos com remuneração acima da média, aliada a ativos de baixa liquidez, sugere gestão temerária ou fraudulenta.
A investigação também apura investimentos suspeitos, citados em reportagem anterior. Foi apontada a precificação artificial de um terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões, quando seu valor era de R$ 10 milhões. Outro ponto é a avaliação de uma carteira de automóveis em R$ 3,5 bilhões, que não correspondia ao valor real. Essas operações permitiram ao Digimais emitir mais CDBs, títulos de renda fixa.


