O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não definiu o inquérito da Abin Paralela por um ano. A investigação, concluída pela Polícia Federal em junho do ano passado, apura o uso ilegal da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar autoridades.
A conclusão da PF apontou que 36 pessoas cometeram crimes ao usar ferramentas de monitoramento da Abin. Foram indiciados, entre outros, o ex-chefe da Abin, o ex-vereador e o atual diretor-geral da agência. Após o fechamento do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo e encaminhou o processo a Gonet, que tinha 15 dias para decidir se oferecia denúncia, arquivava ou pedia mais diligências.
A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin informou que a demora no desfecho compromete o planejamento e o funcionamento do órgão. A entidade declarou que o órgão continua arcando com a remuneração integral de servidores afastados, sem poder contar com a força de trabalho.
Auxiliares do procurador-geral avaliam o relatório da PF como robusto. Gonet já havia manifestado posição sobre o tema em fevereiro do ano passado, quando ofereceu denúncia em outra investigação, afirmando que a estrutura estatal de inteligência foi usada para promover ataques virtuais e desinformação contra opositores.

