O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que remeta à primeira instância fatos pendentes da investigação da ‘Abin Paralela’. A solicitação ocorre porque Gonet defende que os episódios não denunciados envolvem crimes contra a administração pública e não justificam a manutenção do caso na Corte.
A manifestação, encaminhada nesta quinta-feira, explica que a parte da investigação ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao suposto projeto de ruptura institucional já foi analisada integralmente pelo STF. Segundo Gonet, os fatos remanescentes não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com a finalidade antidemocrática que motivou a atuação da Suprema Corte no caso.
A investigação teve início após a revelação, em março de 2023, de um sistema chamado FirstMile. A ferramenta explorava falhas na rede de telefonia celular para rastrear alvos no país, sendo usada para produzir dossiês e disseminar notícias falsas, segundo a estrutura montada pelo então diretor-geral do órgão, Alexandre Ramagem.
A Polícia Federal concluiu o inquérito em 2025, apontando indícios de crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático e corrupção passiva, e indiciou 36 pessoas. Gonet afirmou que os elementos relacionados aos acusados já foram aproveitados nos julgamentos do STF. Entre os alvos do monitoramento irregular estavam o presidente do STF à época, Luís Roberto Barroso, e ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Dias Toffoli.

