O Banco Central lançou o ecossistema da duplicata escritural, um sistema que pode liberar cerca de R$ 11 trilhões em recursos para empresas brasileiras. A mudança, que altera a forma como o capital de giro é obtido, terá implementação gradual, começando pelas grandes corporações em junho de 2027.
O mercado de duplicatas no Brasil movimenta anualmente entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões, mas apenas 10% a 15% desse volume é usado como garantia em operações de crédito. A digitalização integral desses títulos deve transformar os recebíveis em ativos mais seguros e negociáveis, ampliando a oferta de crédito e reduzindo custos para empresas de todos os portes, segundo o mercado financeiro.
Na prática, a duplicata deixa de ser um papel físico para se tornar um documento registrado e rastreável eletronicamente, com registro único. Isso resolve a falta de padronização e insegurança jurídica histórica do mercado de recebíveis. Especialistas afirmam que o título, que antes era apenas um documento mercantil, passa a ter valor financeiro por ser autenticado e rastreável.
A expectativa econômica é de aumento de eficiência e competição. Pesquisa aponta que 88% das instituições financeiras acreditam que o novo modelo elevará a oferta de crédito. Além disso, a transição busca reduzir fraudes, como a emissão de duplicatas sem lastro, garantindo a unicidade dos recebíveis pelo sistema centralizado.

