O agronegócio brasileiro enfrenta uma ameaça estrutural devido ao plano chinês de autossuficiência alimentar, delineado no 15º Plano Quinquenal 2026-2030. A China, que compra 71% da soja e 54% da carne bovina do país, planeja reduzir suas importações, o que pode desvalorizar commodities e infraestrutura no Brasil.
A estratégia de Pequim eleva a segurança alimentar a prioridade estratégica, visando reverter um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões (R$ 631,2 bilhões) por meio da doutrina de “Alimentação Expandida”. O plano projeta uma queda de 25% na demanda por soja até 2030, o que representa um corte de 23,5 milhões de toneladas, volume equivalente a quase um terço do que o Brasil exportou para a China em 2024.
As medidas chinesas incluem metas de produção de 725 milhões de toneladas de grãos anuais e restrições na ração animal, determinando que a inclusão de farelo de soja caia para menos de 10% até 2030. Especialistas apontam que a China busca uma “dependência segura” através de inovação e diversificação, replicando o sucesso industrial em outros setores.
Consultores internacionais afirmam que a transformação chinesa é profunda. Um especialista comentou que “Negar o tamanho dessas transformações pode ser muito nocivo, e não vemos um sentido de urgência no Brasil para enfrentar as novas diretrizes”. O setor brasileiro, por sua vez, precisa buscar outros mercados diante da mudança na estratégia de compra do gigante asiático.


