Um especialista afirmou que o plano da China de reduzir importações de soja deve ser visto pelo Brasil como um aviso estratégico, e não como uma ameaça vazia. A medida, ligada à segurança alimentar chinesa, pode impactar diretamente o agronegócio nacional, que direciona 71% de sua produção para o país asiático.
Segundo o especialista, Pequim tem histórico de implementar planos estratégicos, e a redução planejada nas compras de soja teria um impacto relevante para os produtores brasileiros. Se a China cortar as importações em 25% até 2030, o volume afetado seria de 23,5 milhões de toneladas. O setor, que depende majoritariamente do mercado chinês, precisa se antecipar a esse movimento e avaliar riscos de concentração de mercado.
Além da questão chinesa, o especialista comentou o risco de novas tarifas vindas da União Europeia. O bloco europeu costuma impor barreiras não tarifárias em acordos comerciais, como o firmado com o Mercosul. Para se manter competitivo, o Brasil precisa melhorar a capacidade de comprovação de sua produção, pois, embora seja campeão em volume, está atrasado na documentação.
O setor produtivo deve se preparar para cumprir exigências de rastreabilidade e governança. O especialista citou o Uruguai como exemplo de país que avançou na área, alertando que o Brasil corre o risco de ficar para trás. Ele também aconselhou cautela ao discutir retaliações comerciais, pois os efeitos de disputas políticas podem ser irreversíveis.


