A Polícia Civil e o Ministério Público investigam a atuação de policiais na Paraíba que protegiam foragidos da Justiça e repassavam informações sigilosas sobre operações policiais ao crime organizado. A apuração, que resultou na prisão de nove pessoas, revela que os agentes também negociavam drogas com traficantes.
A investigação aponta que os agentes utilizavam o acesso a dados privilegiados para beneficiar criminosos e dificultar o trabalho das forças de segurança. Integrantes do grupo avisavam traficantes e outros alvos sobre ações policiais antes do cumprimento das operações, permitindo que se preparassem para evitar prisões ou apreensões. A polícia afirmou que foragidos da Justiça contavam com essa proteção.
Entre os envolvidos, estaria José Alexandrino Júnior Lira, investigado por ataques a bancos no Nordeste e ligado ao chamado Novo Cangaço. Em áudios analisados, suspeitos mencionam negociações envolvendo o nome de Júnior Lira e estratégias de comercialização de entorpecentes. A proximidade entre os investigados ia além de contatos telefônicos, com registros de encontros presenciais e compartilhamento de fotos e vídeos em redes sociais.
A operação foi deflagrada após um traficante denunciar nas redes sociais o desvio de uma carga de drogas por policiais para posterior revenda. Um dos investigadores responsáveis pelo caso declarou que “O fato de serem agentes do Estado dá a aquelas pessoas um poder de quem está ali ciente, acreditando realmente que está blindado. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda a força”.


