A Polícia Federal descobriu que um cabo da Polícia Militar enganava chefes do Comando Vermelho, alegando ter acesso a informações sigilosas do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio. As conversas de aplicativo revelam a intimidade entre o policial e um líder da facção, mas perícias desmentiram sua presença nos locais alegados.
Os diálogos extraídos dos celulares indicam que o policial militar se tratava de “irmão” com um dos chefes do Comando Vermelho. Segundo a PF, o agente repassava decisões judiciais sigilosas e afirmava estar no Gaeco. Contudo, a perícia em câmeras de vigilância dos prédios do complexo-sede não registrou o policial nas datas e horários que ele mencionava, confirmando que o agente ludibriava a facção.
Analistas do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ concluíram que os prints de denúncias apresentados pelo policial continham “falsificações grosseiras, seja pela forma, seja pelo conteúdo”. O CSI não localizou denúncias contra os criminosos indicados na base de dados do Gaeco referente a 2025, classificando as peças como falsas.
A promotora responsável pela investigação, Letícia Emile, declarou que o relatório da Polícia Federal, que indicava que o policial possuía trânsito e acesso a dados sigilosos do Gaeco, era irreal. O agente utilizava falsas peças e um prestígio inexistente para convencer os criminosos de seus propósitos, conforme apurou a investigação.


