Pré-candidatos em Goiás utilizam a pré-campanha para se posicionar antes das convenções partidárias, aproveitando o esquecimento do voto anterior por parte de parte dos eleitores. A estratégia visa capitalizar a memória afetiva do eleitor, que lembra mais facilmente de disputas presidenciais do que de cargos menores.
A mobilização política ocorre no interior do estado, em eventos religiosos e agropecuários, visando construir imagem e articular lideranças regionais. Segundo o cientista político Rodrigo Andrade, existe uma hierarquia na memória eleitoral: o eleitor lembra mais do presidente, pois a disputa domina o noticiário, enquanto deputados e vereadores ficam na sombra.
Candidatos a cargos executivos buscam agir sobre essa memória afetiva. Um exemplo em Goiás é a estratégia do grupo governista, que associa pré-candidatos à gestão anterior para transferir a memória positiva do período em exercício. Andrade comentou que “A memória da gestão é o ativo mais valioso que um grupo político pode ter.”
O maior desafio dos pré-candidatos é a indiferença do eleitor, que, segundo estudos, decide o voto em 40% a 50% dos casos apenas nos dias finais da campanha. Por isso, a pré-campanha foca em lideranças intermediárias, como prefeitos e cabos eleitorais, para montar a estrutura antes do início oficial da campanha em 16 de agosto.

