O encontro diplomático realizado em Bonn, Alemanha, para adiantar negociações da COP31 terminou com sentimento de frustração, segundo organizações ambientalistas. O debate foi lento e a ausência de acordo sobre temas centrais dificulta a aplicação das iniciativas lideradas pela presidência brasileira da COP30.
As tensões atingiram o auge no último dia do evento, que deixou questões importantes para serem resolvidas apenas na COP3, a ser realizada na Turquia em novembro. Entre os pontos pendentes estão a Meta Global de Adaptação e o Programa de Trabalho de Mitigação.
A chefe global de política climática e energética da WWF Internacional, Fernanda de Carvalho, afirmou que as negociações “continuam sendo a espinha dorsal do processo climático global – mas não podem se tornar uma sala de espera para a implementação”. A rede Observatório do Clima comentou que o encontro preparatório serviu como “tubo de ensaio para os países testarem posições extremistas”, registrando um sentimento de “decepção” entre os delegados.
No âmbito do Brasil, a proposta de um mapa do caminho global para afastamento de combustíveis fósseis, que era uma aposta da presidência brasileira da COP30, não foi incluída no documento final. A resistência veio de chamados “petroestados”, como Arábia Saudita, Índia e Rússia. Os negociadores brasileiros pretendem apresentar formalmente o mapa na COP31.

