Os preços de todos os cortes de carne bovina aumentaram no primeiro semestre de 2026. A picanha registrou alta de 10,66%, enquanto a alcatra subiu 9,48%, segundo a prévia de inflação de junho do IBGE. A alta é atribuída à redução da oferta interna causada pela forte demanda de exportação para a China.
A alta nos preços foi impulsionada pela corrida dos frigoríficos para exportar carne bovina à China antes do fim das cotas. A China impôs uma sobretaxa de 55% sobre exportações brasileiras que excedam 1,1 milhão de toneladas em 2026, mantendo tarifa de 12% abaixo desse volume. A Consultoria Agro do Itaú BBA detalhou que os envios ao país asiático cresceram 24% entre janeiro e maio de 2026, representando 51% do total embarcado.
Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, afirmou que a medida de salvaguarda chinesa alterou a lógica do mercado. Ele previu que, apesar de um possível alívio temporário com a redução do ritmo de compras da China, a tendência é de nova alta de preços até o fim de 2026. Essa elevação será causada pelo El Niño, aumento da demanda nos EUA e retorno da demanda chinesa.
Iglesias comentou que os preços têm sido mais influenciados pela redução da oferta no Brasil do que por um aquecimento da demanda interna. Ele também mencionou que a União Europeia representa apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina, e a suspensão de compras por parte do bloco deve ter pouca influência no preço.

