A psicóloga Valeska Zanello desenvolveu a teoria da ‘prateleira do amor’ para explicar o sofrimento feminino em relacionamentos, argumentando que a mulher terceiriza sua autoestima esperando validação masculina. A metáfora, que alcançou sucesso editorial, gerou debate, pois especialistas apontam que ela ignora mulheres negras, trans e com deficiência.
A teoria, central no trabalho acadêmico da psicóloga, trata o sofrimento feminino não como má sorte, mas como uma estrutura social e cultural que objetifica a mulher. Segundo Zanello, a metáfora ilustra como as mulheres se colocam à espera de serem escolhidas por um homem, onde o valor é determinado pelo desejo masculino. Ela comenta que, em grupos de comunicação, as mulheres fora do padrão são rejeitadas ou fetichizadas.
A autora também aborda a vida sexual, citando pesquisas sobre a falta de desejo feminino após um ano de relacionamento. Zanello afirmou que os parceiros masculinos frequentemente demonstram preguiça nas preliminares e pouca criatividade. Seu conselho é que a mulher explore seu próprio corpo, evitando depender da descoberta do prazer pelo parceiro.
Apesar do reconhecimento, a concepção de gênero da autora foi criticada por membros da comunidade LGBTQIAP+. Uma professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro analisou que a metáfora serve a pessoas com capital afetivo construído sobre a branquitude e o capacitismo, ignorando grupos vulneráveis.

