Quase metade dos municípios brasileiros registrou em 2025 superfície de água abaixo da média histórica. O levantamento do MapBiomas Água indica que o país perdeu área hídrica equivalente a mais que o estado de Sergipe desde 1985, refletindo secas e mudanças climáticas.
Em 2025, 2.511 municípios, totalizando 45% do território nacional, apresentaram superfície de água inferior à média calculada entre 1985 e 2025. As maiores perdas absolutas e proporcionais concentraram-se em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados cortados pelo Pantanal. A Região Hidrográfica do Paraguai, por exemplo, perdeu 53,8% de sua superfície de água, ou 877 mil hectares, em relação à média histórica.
O estudo aponta que os corpos hídricos naturais, como rios e lagos, encolheram 19% desde 1985, perdendo 3,2 milhões de hectares. Em contraste, os corpos hídricos artificiais, como represas, cresceram 69%, ganhando 1,7 milhão de hectares. No Pantanal, onde se concentram as maiores perdas, mais de 99% da superfície mapeada é natural, tornando o bioma dependente do ciclo de chuvas.
Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água, afirmou que, apesar de sinais pontuais de recuperação em 2025, a tendência histórica de queda persiste. Ele explicou que o Brasil está ficando mais seco, um processo ligado ao El Niño, aquecimento global e desmatamento, que altera o regime de chuvas no país.

