Quase metade dos formuladores de política monetária do Federal Reserve acredita que manter os custos dos empréstimos estáveis não será suficiente para reduzir a inflação à meta de 2%. Nove dos 19 membros do comitê indicaram a necessidade de aumentar a taxa básica de juros ainda este ano, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira.
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% em sua decisão mais recente. Contudo, as projeções, conhecidas como “gráfico de pontos”, mostram uma mudança no debate interno do banco central. Enquanto antes o foco era manter os juros estáveis antes de reduzi-los, agora há uma preocupação crescente com o aumento dos preços dos combustíveis e seu impacto na inflação subjacente.
De acordo com os dados, seis dos nove membros que previram aumento acreditam que a elevação da taxa deve ser superior a 0,25 ponto percentual. A inflação, que ultrapassa a meta de 2% há mais de cinco anos, mostra sinais de piora. A mediana das previsões aponta que o Índice de Preços dos Gastos com Consumo Pessoal (PCE) atingirá 3,6% no final do ano, um avanço em relação aos 2,7% esperados em março.
O cenário econômico também apresenta desafios. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) está projetado em 2,2%, um valor inferior aos 2,4% previstos anteriormente. Além disso, a inflação do PCE básico, que exclui petróleo e alimentos, deve chegar a 3,3%. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, enfrenta o desafio de uma expectativa de redução de juros que se torna menos viável com a mudança no apoio interno.

