A Raízen participa de assembleia geral de credores na próxima semana para aprovar um plano de recuperação extrajudicial que envolve R$ 65 bilhões em dívidas. A empresa busca atingir, no mínimo, 70% de aprovação entre as classes de credores envolvidas no processo.
A adesão ao plano recebeu um sinal positivo na noite de quarta-feira (3), quando todos os debenturistas das emissões de 2ª, 3ª e 4ª classes presentes nas assembleias aprovaram o acordo. Contudo, a decisão possui condição resolutiva: ela pode ser revogada se os credores rejeitarem o plano na assembleia de segunda-feira (8), às 13h, ou se a Raízen apresentar uma versão materialmente diferente da aprovada.
O plano é o maior processo de recuperação extrajudicial do Brasil. A reestruturação prevê que 45% da dívida total seja convertida em ações da companhia. Com isso, os credores passarão a deter quase 80% do capital da Raízen, o que reverte a estrutura de controle compartilhado entre Cosan e Shell. A Shell também fará uma capitalização de R$ 3,5 bilhões como parte do acordo.
A partir de 2027, a Raízen será dividida em duas empresas: uma focada na produção de etanol e outra na distribuição de combustíveis. O acordo também redesenha a governança, prevendo a eleição de um novo conselho de administração no primeiro trimestre de 2027. Lorival Luz, diretor financeiro da companhia, será nomeado CRO, diretor de reestruturação, para supervisionar a execução do plano.
Além da dívida financeira, a empresa ainda precisa equacionar R$ 25 bilhões em passivos tributários com o fisco federal, o que representa o principal ponto de incerteza remanescente no processo de recuperação, iniciado em março de 2026.


