A Raízen, empresa de energia integrada, fechou um acordo de recuperação extrajudicial que envolve dívidas de R$ 64,7 bilhões. O pacto, considerado o maior do país, contou com a adesão de 75,45% dos credores e evita o caminho da recuperação judicial.
O plano de reestruturação inclui um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões, que será realizado pela Shell. Além disso, 45% dos créditos serão convertidos em participação na companhia por meio de units, negociadas a R$ 0,50 cada. O diretor financeiro Lorival Luz assumirá mais responsabilidades como diretor de reestruturação.
Para equilibrar as contas, a empresa também adotará medidas estruturais, como a segregação de operações. O negócio de processamento de cana-de-açúcar será separado da unidade de distribuição de combustíveis, com prazo final para implementação em 2027. Um passo nesse sentido foi a venda das operações na Argentina por US$ 1,42 bilhões para a Mercuria Energy Group.
A crise da companhia foi causada por apostas malsucedidas em etanol e combustível de aviação, somadas a juros elevados e safras abaixo do esperado. O acordo com credores foi alcançado antes do prazo final estabelecido para o entendimento.

