A Raízen firmou um acordo extrajudicial para renegociar R$ 64,7 bilhões em dívidas, um processo que durou quase dois anos e visa evitar a recuperação judicial da companhia. O plano foi aceito pela maioria dos credores, incluindo instituições bancárias e credores internacionais.
O acordo estabelece que aproximadamente 45% do passivo será convertido em participação acionária, com valor de R$ 0,25 por ação. Os 55% restantes serão refinanciados, substituídos ou aditados por novos títulos. A Shell, maior acionista, realizou um aporte de R$ 3,5 bilhões e detém cerca de 12% da empresa. Rubens Ometto, controlador da Cosan, também investiu R$ 500 milhões por meio do fundo familiar Aguassanta.
Análises apontam que a entrada de capital da Shell e do fundo Aguassanta sinaliza comprometimento dos acionistas com a recuperação da empresa. Especialistas do setor sucroenergético explicam que o aumento da dívida está ligado à busca por novas tecnologias, como o etanol de segunda geração (E2G). Este biocombustível, embora prometa elevar a produtividade em até 50%, apresentou maior custo e complexidade.
A empresa, maior produtora nacional de etanol de cana-de-açúcar, distribui mais de 30 bilhões de litros de combustíveis anualmente. O acordo permite que os credores optem por pagamento com desconto, limitado a R$ 150 milhões em créditos de menor valor.


