A política nacional para recuperação da vegetação da Caatinga avança no Nordeste, com o conceito de ‘recaatingamento’ ganhando força como estratégia pública. O Senado Federal aprovou a política, que visa unir a recuperação da flora nativa à valorização das comunidades tradicionais para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
O ‘recaatingamento’, que se consolidou no semiárido baiano entre as décadas de 1990 e 2000, consiste no cercamento de áreas para proteger plantas nativas e no plantio de mudas focado na geração de renda. Segundo o coordenador de projetos sociais do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), a iniciativa busca transformar moradores em agentes ativos na recuperação do bioma.
Atualmente, o Irpaa aplica o método em 45 comunidades do semiárido, envolvendo cerca de 900 famílias. O MapBiomas informou que quase 54% das pastagens da Caatinga em 2024 já apresentavam mais de 30 anos de uso contínuo, o que pode comprometer a regeneração natural. A preservação do bioma também traz benefícios nacionais, pois a Caatinga responde por cerca de 50% do sequestro líquido de carbono do país, conforme pesquisa de 2022.
O Consórcio Nordeste, autarquia formada pelos nove estados da região, comunicou a decisão de incorporar o ‘recaatingamento’ em sua agenda. Um membro da Câmara Temática de Meio Ambiente do Consórcio avaliou que o bioma une o Nordeste em objetivos comuns, sendo vulnerável às mudanças climáticas. A autarquia planeja buscar recursos internacionais para enfrentar a desertificação, principal ameaça da Caatinga.


