Empresas brasileiras aceleraram as recompras de ações na B3, aproveitando a queda nos preços dos papéis. No acumulado do ano, 42 companhias comunicaram disposição para recomprar suas ações, totalizando um volume estimado de R$ 25 bilhões. O movimento indica que as administrações veem valor nos preços atuais, mas analistas alertam sobre a execução dos programas.
O levantamento do Itaú BBA aponta que, nos últimos 15 dias de maio e nos primeiros 15 de junho, 15 empresas aprovaram novos programas de recompra, somando R$ 6,9 bilhões. Apenas em junho foram nove anúncios. As compras efetivas no mercado registraram R$ 2,5 bilhões em maio e R$ 8,8 bilhões no ano, o que representa alta de 3,5% comparado ao mesmo período de 2025.
Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações para América Latina do Itaú BBA, atribui o avanço à baixa de preços. Ele afirmou que “Valuations mais baixos tornam a recompra mais atrativa — a empresa ‘compra barato’ suas próprias ações”. O Itaú BBA estima o buyback yield esperado para o Ibovespa em 1,2%, sendo os setores de Energia (9,4%), Consumo Discricionário (6,4%) e Utilities (5,5%) os que apresentam maior indicador.
O JPMorgan complementa a análise com a dimensão do valuation, apontando que Industriais negociam abaixo da média histórica de dez anos. No entanto, ambos os bancos alertam que o programa anunciado não é obrigatório. Gewehr lembrou que, dos R$ 81 bilhões em programas abertos, ainda há R$ 71,1 bilhões a serem recomprados, e o investidor deve cruzar o sinal com fundamentos e ritmo de execução.

