A discussão sobre a redução da jornada de trabalho, incluindo a possível adoção do modelo 5×2, ganhou um novo foco no Brasil. Pesquisadores apontam que a mudança estrutural no tempo de trabalho pode influenciar diretamente o consumo, a produção e as emissões de carbono, atacando a crise climática e a desigualdade social.
Estudos recentes sugerem que a organização do trabalho afeta o modelo de consumo e produção, impactando as emissões de gases de efeito estufa. Um relatório internacional, associado ao economista Thomas Piketty e ao World Inequality Lab, propõe que a diminuição da jornada pode ser uma resposta simultânea a esses desafios.
O estudo foca na contradição entre o aumento da produtividade e a estagnação do tempo livre dos trabalhadores. A ideia central é a suficiência: redirecionar ganhos de produtividade para reduzir horas trabalhadas, permitindo mais tempo para saúde, educação e vida comunitária.
Segundo o relatório, economias que não dependem da expansão constante do consumo reduzem a pressão sobre recursos naturais. A proposta sugere uma mudança de paradigma, onde o progresso não é medido apenas pelo PIB, mas também pelo bem-estar e pelos limites ecológicos do planeta.

