A reorganização das cadeias globais de transporte e energia pode levar meses mesmo após o fim do conflito no Oriente Médio, avalia André Mirsky, economista e consultor financeiro. O principal obstáculo, segundo Mirsky, é restaurar a confiança dos agentes econômicos e normalizar as rotas comerciais afetadas pela instabilidade.
Mirsky afirmou que os recentes episódios envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã mantêm o mercado em estado de alerta, impactando o petróleo e o transporte marítimo global. O economista explicou que o preço da energia reflete a economia real, e não apenas a política monetária. Ele comentou que o governo americano busca reduzir tensões para evitar choques de preços, pois o líder político atual se preocupa com os problemas internos do país.
Questionado sobre o tempo de normalização, Mirsky destacou que a questão central é a confiança. Custos de transporte, seguros e fretes foram afetados pela instabilidade regional e só retornarão aos níveis anteriores com uma percepção clara de segurança. Ele estimou um prazo de cerca de 6 meses para o início da normalização, caso não haja novas escaladas militares.
Os impactos do conflito também influenciam as expectativas de juros nos Estados Unidos. Mirsky observou que o debate migrou de cortes de juros para a possibilidade de aumento das taxas. Além disso, o economista avaliou que a China se encontra em posição confortável, pois permaneceu distante do confronto direto e preservou seus trunfos estratégicos.


