O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou, no domingo, dia 28 de junho de 2026, uma restrição máxima de 14.278 MW de geração renovável no Nordeste. O volume de corte equivale à potência instalada na hidrelétrica de Itaipu, a terceira maior do mundo. A medida, conhecida como curtailment, foi aplicada para manter o equilíbrio do sistema elétrico.
A restrição, detalhada no Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO), ocorreu entre a meia-noite e as 17h49, retornando das 18h46 às 23h59. O ONS atribuiu os cortes ao controle de restrições regionais de operação, a “intervenções em andamento” e ao “controle de frequência”. O curtailment limita a produção de usinas, mesmo com condições de geração, visando a segurança do sistema.
O impacto é mais expressivo no Nordeste, pois a matriz energética da região depende fortemente de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar. Esse tipo de restrição tende a aumentar em dias de menor consumo, como domingos e feriados, quando a produção pode superar a demanda ou a capacidade de transmissão. Em outras regiões, os cortes foram menores: Sudeste/Centro-Oeste registrou 645 MW, e o Sul, 203 MW.
A regulação do curtailment ainda é tema de debate na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Em 22 de junho, a agência adiou a votação da norma que trata dos cortes no Sistema Interligado Nacional (SIN) após pedido de vista do diretor Fernando Mosna. Os órgãos reguladores consideram o corte necessário para a estabilidade, mas a ANEEL definirá os critérios operacionais e se haverá ressarcimento aos geradores afetados.

