O romance “Maria Altamira”, de Maria José Silveira, relata o impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. A obra descreve como o desvio do curso do rio, que completou dez anos de operação em maio, afetou a vida de populações indígenas, ribeirinhos e pescadores artesanais na região de Altamira.
A usina de Belo Monte, considerada a maior totalmente brasileira pela concessionária Norte Energia, gerou danos ambientais significativos. Segundo a narrativa, a formação da barragem impediu que as tribos indígenas encontrassem peixe e caça, essenciais para sua sobrevivência. A compensação financeira oferecida pela concessionária não solucionou os problemas enfrentados pelas comunidades.
A trama acompanha a mudança de vida dos moradores locais, que perderam moradias à beira do rio e, com isso, parte de sua identidade. A personagem Maria Altamira, após viver na metrópole, retorna à sua comunidade e constata a mudança drástica do Xingu, marcada por um grande lago que alterou as características das águas.
A obra possui um forte teor de denúncia social e ambiental, demonstrando a força da literatura ao expor as consequências do projeto de energia elétrica na região. Maria José Silveira, escritora e tradutora, tem dez livros editados, sendo “Maria Altamira” seu oitavo, publicado em 2020.


