A produção mundial de combustível sustentável de aviação (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Esse volume corresponde a apenas 0,8% do consumo total de combustível aéreo, gerando um custo de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas.
Apesar de ser a principal alternativa para a descarbonização do setor, a oferta limitada de SAF configura um gargalo. O custo elevado do combustível verde frente ao querosene de aviação (QAV) também representa um desafio, afirmou o diretor-geral da Iata, Willie Walsh. O executivo declarou que o avanço das metas de descarbonização aérea se torna mais difícil anualmente, citando “políticas governamentais mal sequenciadas e o desinteresse das empresas petrolíferas”.
Walsh comentou que o atual choque energético, ligado à guerra no Oriente Médio, deveria acelerar o desenvolvimento de energias renováveis, incluindo o SAF. Contudo, ele reforçou que “ainda não vimos a urgência de mitigar as mudanças climáticas se materializarem nos incentivos necessários para criar um mercado viável de SAF”.
Em relação ao potencial nacional, a Iata avalia que o Brasil possui condições para se tornar um polo global de produção de SAF. A entidade estima que o país pode produzir cerca de 60 milhões de toneladas do combustível sustentável até 2050, impulsionado por iniciativas como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.


