Salário, estabilidade e perspectiva de crescimento lideram as prioridades do trabalhador brasileiro para os próximos cinco anos, segundo a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, realizado com 2.008 pessoas, mostra que 28,7% dos entrevistados consideram o salário o principal diferencial na ocupação desejada.
Os dados indicam que fatores tradicionais superam modalidades de trabalho modernas. A estabilidade no emprego foi citada por 22,4%, e 20,1% destacaram a perspectiva de crescimento na carreira. Em contrapartida, a flexibilidade de horário foi apontada por 19,3%, e a possibilidade de trabalhar em casa por 15,9%. Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, afirmou que esses fatores tradicionais se associam ao emprego formal com carteira assinada.
A pesquisa também mapeou os obstáculos para o avanço profissional. A falta de vagas com boas condições lidera a lista, citada por 22% dos entrevistados. A falta de experiência prática aparece em segundo lugar, com 17,6%, seguida pela ausência de cursos de formação na região de moradia, apontada por 16,9%. Além disso, 43% dos brasileiros não souberam indicar em qual ocupação se verão daqui a cinco anos.
Apesar das incertezas, 95% dos entrevistados declararam satisfação com o emprego atual. Contudo, o levantamento expôs uma lacuna digital: apenas 44,5% da população domina habilidades digitais complexas, como uso de inteligência artificial e planilhas, evidenciando um desafio para o mercado de trabalho.


