A cidade de São Paulo registrou 169 mortes de pedestres por atropelamento entre janeiro e maio de 2026, o número mais alto para o mesmo período desde 2015. Os dados, do Infosiga, indicam uma trajetória de alta contínua desde 2021, sem políticas eficazes de proteção aos pedestres, segundo especialistas.
O aumento acumulado de mortes representa uma alta de 59,4% em cinco anos. Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, afirmou que o crescimento reflete uma falha estrutural no planejamento urbano. Ele explicou que a cidade cria risco quando o pedestre precisa percorrer grandes distâncias para encontrar uma faixa de travessia.
Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), comentou que o modelo urbano atual coloca o carro como ator principal, tornando os pedestres vulneráveis. Ele atribuiu o quadro a três fatores: a construção de cidades com lógica hostil ao pedestre, a intensificação do fluxo de veículos pós-pandemia e o descontrole da velocidade.
Entre as medidas sugeridas, especialistas citam a redução do espaçamento entre faixas de pedestres para até 100 metros e a ampliação de calçadas. A prefeitura, por sua vez, informou que adota ações como a criação de Áreas Calmas e a implantação de mais de 10 mil novas faixas de pedestres.

