Um especialista em mercado financeiro prevê que a taxa Selic permanecerá em dois dígitos por um período prolongado, estimado em até três anos. A análise considera o cenário de incertezas globais, a pressão inflacionária e os desafios fiscais do Brasil.
Segundo o economista, o ambiente atual dificulta cortes de juros, mantendo a política monetária restritiva. A trajetória inicial de flexibilização da taxa foi alterada por fatores internacionais, como a guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e aumentou a volatilidade global.
No Brasil, a inflação permanece acima da meta, e as projeções futuras são elevadas, somadas a pressões fiscais. Esses fatores mantêm o Banco Central cauteloso, mesmo após o recente corte de 0,25 ponto percentual. O especialista afirmou que o país opera com a perspectiva de juros de dois dígitos por um tempo maior.
O impacto se reflete no crescimento econômico, que deve se manter limitado entre 2% e 2,5%. O custo de capital elevado e o endividamento das empresas pressionam os setores produtivos. O especialista destacou que o crescimento sustentável dependerá da trajetória fiscal do país, pois sem controle de gastos públicos, a queda consistente da Selic será limitada.

