A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu investigação contra Crefisa, Valor S/A e Cobuccio/Ágil S.A. por possível cobrança abusiva de juros em crédito pessoal não consignado. O procedimento foi instaurado após monitoramento do Banco Central que identificou instituições com taxas superiores a 20% ao mês.
O órgão fiscalizador apura a prática abusiva em operações de crédito pessoal não consignado, modalidade em que as parcelas não são descontadas diretamente de salário ou benefício. A Senacon identificou que as taxas cobradas por algumas instituições estão entre as maiores do mercado. A Crefisa, por exemplo, registra taxa de 20,86% ao mês, o que equivale a 871,43% ao ano. Ela aparece atrás apenas de Valor S/A SCFI, com 21,72% ao mês, e Cobuccio/Ágil S.A. SCFI, com 21,71% ao mês.
O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, declarou que “a liberdade de preços não significa liberdade de abusos”. A investigação visa proteger consumidores contra violações do Código de Defesa do Consumidor, como a vedação à vantagem manifestamente excessiva. O patamar de encargos superior a 20% ao mês motivou a abertura dos procedimentos administrativos.
A Crefisa já enfrentava questionamentos anteriores. Em agosto de 2025, o INSS suspendeu cautelarmente o contrato da companhia após reclamações de beneficiários sobre dificuldade de saque integral e venda casada. A Senacon assegurou que as instituições terão direito ao contraditório e à ampla defesa durante a tramitação dos procedimentos.

