O setor de etanol brasileiro enfrenta pressão de rentabilidade mesmo com a queda do preço do petróleo, segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência. O especialista afirmou que a contenção de reajustes governamentais impediu que os produtores se beneficiassem da alta anterior, mantendo as usinas vendendo abaixo do custo.
Rodrigues explicou que, durante o conflito no Oriente Médio, o aumento do preço internacional do petróleo impactou o custo de produção, mas não a receita dos produtores. O governo segurou os reajustes da gasolina e do diesel e criou uma subvenção aos produtores de gasolina, sem contrapartida para o etanol. Esse cenário gerou forte pressão sobre a rentabilidade das usinas.
A estabilização do petróleo em torno de US$ 80 (R$ 412,80) por barril reduz a necessidade de medidas emergenciais, mas não altera a situação de curto prazo. O diretor da Bioagência observou que a retirada de subsídios aos combustíveis fósseis pode ajudar a equilibrar a concorrência entre gasolina e etanol. Ele ressaltou que a decisão do consumidor depende da diferença de preços, exigindo que o etanol permaneça competitivo.
O especialista também apontou que a redução dos custos de produção será gradual, pois os efeitos das mudanças nos preços internacionais demoram a percorrer toda a cadeia de suprimentos. Apesar das dificuldades, Rodrigues avaliou que a crise geopolítica reforçou o potencial do etanol como alternativa energética de longo prazo, mostrando a resiliência do setor brasileiro.

