O surto de ebola que afeta o Congo e Uganda cresceu 38% em uma semana, segundo dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África). A doença, que já soma mais de 200 mortes no primeiro mês, é considerada o mais grave registrado recentemente.
O epidemiologista médico do CDC África, Wessam Mankoula, informou que há 894 casos confirmados. Este número é três vezes maior que o registrado em Uganda no ano 2000, quando foram contabilizados 281 casos. Mankoula declarou que o cenário pode ser mais grave que os números oficiais indicam, pois estima que haveria entre 17 mil e 35 mil contatos para os casos confirmados.
A disseminação atinge 32 zonas de saúde no leste da República Democrática do Congo, concentrando mais de 90% dos casos na província de Ituri. O vírus responsável é o Bundibugyo, considerado raro, e não possui vacina ou tratamento aprovado, ao contrário do vírus Zaire, mais comum.
A contenção da epidemia enfrenta grandes obstáculos logísticos e financeiros. O escritório humanitário da ONU aponta que cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas em Ituri, dificultando o rastreamento de contatos. As pesquisas recentes mostraram que apenas cerca de 4 mil contatos foram rastreados, o que representa menos de 15% do total estimado.
No aspecto financeiro, dos mais de US$ 900 milhões prometidos para o enfrentamento, apenas US$ 90 milhões foram liberados até o momento. Mankoula afirmou que a resposta à crise necessita de pelo menos 540 profissionais, mas conta com apenas 84 no combate.

