O mercado brasileiro reagiu de forma mista aos anúncios de tarifas dos Estados Unidos. A segunda rodada de sobretaxa adicional de 12,5% pegou investidores de surpresa, elevando as curvas de juros futuros e as expectativas de inflação no país.
A primeira rodada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros gerou alta de pouco mais de 1% na bolsa, pois mais de mil produtos foram excluídos da lista, sinalizando moderação de Washington. Contudo, a nova sobretaxa, estendida à União Europeia e ao Oriente Médio, alterou o cenário.
Ian Lopes, economista e sócio da Valor Investimentos, afirmou que a medida teve efeito negativo imediato no custo de capital das empresas exportadoras. Segundo Lopes, a tarifa é intrinsecamente inflacionária, pois funciona como um imposto que eleva o preço dos produtos no curto e médio prazo.
O economista avalia que a motivação por trás dos anúncios não é econômica. Ele aponta que o superávit comercial de aproximadamente US$ 7,5 bilhões entre Brasil e EUA em 2024 e 2025 esvazia a justificativa comercial das sobretaxas, sugerindo um viés político ou de negociação.
Lopes descarta a resposta imediata por reciprocidade, defendendo uma solução diplomática. Ele ressalta que substituir o comércio com os EUA, segundo parceiro comercial do Brasil, exige tempo e negociação.


