As taxas dos títulos do Tesouro Direto subiram na quarta-feira (17) após a divulgação do IBC-Br de abril, que serviu como prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O índice avançou 0,5% em comparação mensal, indicando resiliência econômica que restringe a possibilidade de o Banco Central retomar cortes na taxa de juros.
O avanço do IBC-Br foi positivo pelo terceiro mês consecutivo em quatro, embora tenha ficado abaixo da expectativa de 0,6% apontada por pesquisas de veículos de comunicação. O crescimento mensal foi impulsionado por serviços e indústria, enquanto a agropecuária manteve-se estável, segundo análise de economistas.
Nos títulos atrelados à inflação, o aumento foi notado no trecho intermediário da curva. O IPCA+ 2032 subiu oito pontos-base, atingindo 8,20%, e o IPCA+ 2037 com juros semestrais alcançou 7,75%. O papel para 2040 registrou salto para 7,43% de juro real.
Rafael Perez, economista da Suno Research, declarou que o resultado reforça a resiliência da economia, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido. Contudo, ele previu que os efeitos da política monetária restritiva voltarão a ser sentidos no segundo semestre, o que pode levar a uma desaceleração mais acentuada da atividade.
Leonardo Costa, economista do ASA, complementou a leitura de desaceleração gradual, afirmando que o IBC-Br de abril é compatível com perda de tração na margem. Ele destacou que o acumulado em 12 meses desacelerou para 1,6%, sugerindo perda gradual de momentum.

