Uma equipe internacional, liderada por pesquisadores da USP, desenvolveu um método para identificar estrelas que engoliram planetas ao seu redor. A técnica se baseia na detecção de variações na abundância de berílio, um elemento químico raro, e foi publicada em 16 de junho na revista Astronomy & Astrophysics.
O estudo analisou um sistema binário composto por duas estrelas do tipo solar, HD 129171 e HD 129209. Inicialmente, esperava-se que as estrelas tivessem composição química idêntica, mas os pesquisadores encontraram diferenças significativas. A doutoranda Anne Rathsam explicou que a estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários, o que sugere fortemente que ela engoliu material planetário durante sua evolução.
O diferencial do trabalho foi provar que diferenças na abundância de berílio em estrelas binárias funcionam como marcadores confiáveis desse processo. O berílio não é fabricado no interior das estrelas, indicando que sua presença na luz emitida sinaliza a ingestão de material rochoso, como restos de planetas. Segundo o professor Jorge Luis Melendez Moreno, os elementos lítio, berílio e boro surgem principalmente por espalação cósmica, e o berílio é mais resistente que o lítio.
As observações, feitas com o espectrógrafo UVES no VLT, mostraram que a HD 129171 possui abundância maior de elementos refratários e excesso de lítio e berílio. Os cientistas estimaram que a ingestão equivale a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso. Os autores também comentaram que a ocorrência desse engolfamento pode indicar que sistemas estáveis, como o Sistema Solar, são menos comuns do que se imaginava.

