A relação entre progresso tecnológico e expansão educacional determina a distribuição de riqueza. Segundo análises, quando o sistema educacional não acompanha a velocidade da inovação, a desigualdade salarial aumenta drasticamente.
Em 1974, J. Tinbergen, economista laureado com o Prêmio Nobel, sugeriu que, em um contexto de desenvolvimento tecnológico, se o sistema educacional gerar mais profissionais qualificados do que o mercado necessita, os salários desses indivíduos caem. Em contrapartida, os salários de profissionais mais escassos sobem, o que reduz a desigualdade.
Tinbergen também introduziu a ideia de um ciclo vicioso: se a escassez de títulos superiores eleva seus salários, enquanto a abundância de outros os diminui, a desigualdade cresce. Mais tarde, em 2008, C. Goldin e L.F. Katz analisaram a evolução salarial dos Estados Unidos no século XX, retomando essa metáfora.
A análise mostrou que, enquanto o avanço tecnológico era firme, a expansão educacional foi mais rápida, o que reduziu a desigualdade salarial. Contudo, a partir de 1980, o desequilíbrio entre aceleração tecnológica e estagnação educacional fez com que a produtividade e a riqueza crescessem, mas não de forma equitativa, atingindo níveis de desigualdade inéditos desde a Grande Depressão.

