Pesquisa internacional revelou que o uso contínuo de tecnologias como bombas de insulina e sensores de glicose causa problemas de pele em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. O estudo, que analisou 1.719 pacientes, identificou lesões em 52% dos usuários de bomba de insulina.
O trabalho, publicado na revista Hormone Research in Paediatrics, reuniu dados de 22 centros mundiais, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A análise, que acompanhou os pacientes por quatro semanas, mostrou que 52% dos usuários de bomba de insulina e 30% dos pacientes com sensores de glicose apresentaram problemas cutâneos. A inflamação, conhecida como eczema, foi observada em 9% dos participantes, tanto nos locais de aplicação dos dispositivos quanto nos sensores.
As especialistas afirmam que os dispositivos são padrão-ouro para o controle glicêmico preciso, mas alertam para os riscos. A endocrinologista pediátrica Mariana Zorron, do Hospital de Clínicas da Unicamp, disse que a indicação deve ser individualizada. No estudo, pacientes com bomba de insulina tiveram mais cicatrizes, feridas e lipodistrofias. Além disso, crianças com pele seca apresentaram risco duas a cinco vezes maior de desenvolver complicações dermatológicas.
A médica Lindiane Gomes Crisostomo, do Einstein Hospital Israelita, explicou que o problema não é apenas a tecnologia, mas a inserção repetida e a presença de um corpo estranho em pele fragilizada. As lesões, embora geralmente reversíveis, podem comprometer a adesão ao tratamento e a leitura adequada da glicose. Recomenda-se hidratação intensa e rodízio dos locais de aplicação.

