Um novo teste rápido para identificar o risco de Alzheimer, que utiliza uma amostra de urina, começa a ser disponibilizado no Brasil. A tecnologia, que já é usada em países como Alemanha e China, visa atuar como triagem para detectar sinais biológicos da doença antes do surgimento de sintomas cognitivos.
O diagnóstico de Alzheimer ocorre, na maioria dos casos, em fases avançadas, quando a perda de memória e o comprometimento da autonomia já estão instalados. Esse atraso limita as intervenções. Segundo estimativas, 2 milhões de brasileiros vivem com demência, e o Alzheimer é responsável por 60% a 70% desses casos. A projeção aponta que esse número pode atingir 5,7 milhões até 2050.
O exame busca identificar biomarcadores da proteína beta-amiloide, que pode se acumular até 30 anos antes da manifestação clínica. Giuliano Araújo, CEO da Biocon Diagnósticos, afirmou que o teste oferece uma alternativa rápida e não invasiva. Ele explicou que exames como PET Scan e punção lombar são caros ou pouco acessíveis, enquanto o novo teste deve custar entre R$ 500 e R$ 600.
A chegada da tecnologia alinha-se a relatórios que indicam que cerca de 45% dos casos de demência podem ser retardados com o controle de fatores de risco. A identificação precoce permite acompanhamento neurológico e mudanças no estilo de vida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lecanemabe em dezembro de 2025, medicamento para estágios iniciais da doença, facilitando o encaminhamento adequado para terapias.

