Especialistas afirmam que a transição energética não é uma ruptura imediata, mas um processo gradual e complexo que exige diversificação de fontes. A mudança de foco do tema climático para o risco financeiro já altera decisões de investimento globais.
Paula Kovarsky, sócia da Legend Capital, e Clarissa Lins, fundadora da Catavento Consultoria, explicam que o maior equívoco do mercado é tratar a transição como algo instantâneo. Segundo as especialistas, o caminho correto é a ampliação do portfólio energético, e não a substituição total de uma fonte por outra. Isso implica abandonar a lógica binária entre fontes fósseis e renováveis, promovendo a convivência e complementariedade entre elas.
A migração do debate climático para o centro das decisões econômicas foi impulsionada por eventos extremos. Paula Kovarsky disse que fenômenos climáticos afetando a safra ou o preço da energia deixam de ser acadêmicos e passam a impactar o fluxo financeiro. Com isso, a agenda ESG passou a integrar modelos de negócio de longo prazo.
Apesar do avanço, o processo é desigual. Clarissa Lins aponta que, embora a geração elétrica e a mobilidade mudem, setores industriais intensivos ainda enfrentam barreiras de custo e tecnologia. O Brasil, apesar de ter potencial, ainda precisa destravar projetos para torná-los investíveis, segundo as especialistas.

