Fêmeas de tubarões-galha-preta retornaram à Baía da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, com a chegada do inverno. O fenômeno reforça o litoral sul fluminense como um dos principais locais de reprodução da espécie no Brasil, segundo pesquisadores do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande.
As fêmeas se concentram na Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, buscando águas mais quentes e protegidas para a gestação dos filhotes. O monitoramento da espécie, considerada ameaçada de extinção, é intensificado por cientistas do projeto. Em expedições anteriores, foi registrado um grupo de 113 tubarões-galha-preta, a maior concentração já observada no Atlântico Sul.
O Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza (Ibracon) em parceria com a Petrobras, estuda o comportamento dos animais há mais de três anos. A iniciativa utiliza drones e câmeras subaquáticas para acompanhar a espécie sem interferir em seu comportamento. Além do tubarão-galha-preta, o projeto monitora outras espécies ameaçadas, como o tubarão-mangona e o tubarão-martelo.
José Truda Palazzo Jr., idealizador do projeto, afirmou que a área já ganhou reconhecimento internacional como vital para a sobrevivência dos tubarões. Ele comentou que o comportamento nada agressivo da espécie pode transformar a Baía da Ilha Grande em um atrativo para o ecoturismo na região. A expectativa é que as fêmeas permaneçam na Baía até outubro, quando se dispersarão para o mar aberto.


